La Trilogia dell’Inadeguatezza

João Lucas Dusi

Rafael DeGuima (1995) irrompe sulla scena letteraria contemporanea con la Trilogia dell’Inadeguatezza, un progetto di respiro rarissimo.
Il primo volume, Un Malessere Fondamentale (1.450 pagine, pubblicato nel 2023), firmato dall’eteronimo Álamo Enfant, già segnala la rottura estetica che diventerà la sua cifra.
Il secondo, I Literisti, scritto sotto l’eteronimo Friederick Stevens, è previsto per il 2030, con 12.000 pagine — un’impresa che sfida non solo la letteratura, ma la stessa resistenza del lettore.
La sua proposta è audace: fondare un nuovo genere, la meta-metafiction, in cui gli eteronimi si convertono in personaggi e i personaggi in eteronimi, dissolvendo i confini tra creazione e creatore, realtà e invenzione.


Álamo si liberò dal braccio di Doll, con entrambe le mani spalancò le porte, lasciandole sbattere con un tonfo secco contro la parete, attirando l’attenzione di tutti.
«Lei è…» Bahã, indicando col dito e con un drink in mano, disse fissando Doll: «Nei Palazzi non sono concessi clamori».
«Álamo, questo è Bahã, il mio futuro marito. Bahã, questo è Álamo Enfant, mio fratello» mormorò Nena, conducendolo fino al fratello.

Bahã, che aveva desiderato quel momento per tutta la vita, nel trovarsi di fronte al cognato si agitò più di quanto potesse immaginare e, con quel discontrollo, si irritò in una rabbia mal indirizzata che finì per tradursi in un atteggiamento offensivo e in una stretta di mano eccessivamente rude.
«L’amato» disse Álamo, voltandosi verso Doll, «Questa è mia moglie. Doll».

Quando tutti gli sguardi si rivolsero alla futura sposa di Álamo, lei aveva così tante lacrime trattenute sulle ciglia che, alzando il mento e battendo le palpebre per il nervosismo, lasciò che la liquidità accumulata le rigasse il viso.
«Qualunque sia la ragione del suo dolore, mi dispiace» la consolò Bahã, chinandosi sul corpo nudo e baciandole la mano.
«Grazie» disse Doll tra le lacrime che, in nessun momento, compromettevano la sua dizione.

«Venite, servitevi di un drink» fece un cenno Pábila, e un cameriere si avvicinò.
«Doll non berrà oggi. Solo per me. Per lei, portate un succo di limone» ordinò Álamo, stringendo forte la mano dell’amata.
«Di cosa stavate parlando?» chiese subito dopo, avvicinandosi al tavolo principale, seguito dagli altri, tranne Pábila che si era già avvicinata a una sedia.
«Di amenità» rispose Pábila, bevendo un sorso affannoso dal bicchiere.
«Tutte le amenità mi interessano» disse Álamo, vedendo i presenti zittirsi e scambiarsi sguardi.
«Di cosa parlavate, nel mio Palazzo?»

Nena teneva costantemente la mano destra sul braccio di Bahã e, ogni volta che Álamo parlava, spingeva con più forza, respingendolo indietro.
«Parlavamo di affari» rispose Bahã, guardando il cognato negli occhi.
«Quali affari?»

Bahã, irrigidendosi in un atteggiamento difensivo, appariva, visto di fronte, quasi comico, come se stesse avendo una reazione allergica e il suo corpo si stesse gonfiando.
«Di tutti» rispose.
«Nel mio Palazzo, amato, parliamo con precisione, non usiamo mai generalità. Sii specifico quando parli» Álamo sorrise, bevve un sorso e oscillò leggermente.
«Mi chiamo Bahã. Non amato» intervenne Pábila indicando due camerieri che entravano nella sala con gli antipasti.
«Non ci saranno antipasti oggi» ordinò Álamo con un gesto brusco.
«Solo piatto principale e dessert».

I camerieri si ritirarono immediatamente e, allo sbattere delle porte, il silenzio calò per qualche secondo.
«La tua impresa, amato, è fallita. Sbaglio?» Álamo toccò con la punta del dito della mano che reggeva il bicchiere il petto di Bahã.
«Dopo il tuo decreto, cos’è rimasto?» sorrise Álamo.
«Ah, ora so di quali affari parlavate» e, dopo un breve istante, concluse: «Quelli obsoleti».

La mano di Nena, che frenava l’impeto di Bahã di scagliarsi contro il fratello, non riusciva più a contenere la sua forza e, dopo l’ultima battuta di Álamo, Nena decise di porsi davanti al futuro marito, voltando le spalle al fratello e a Doll, guardandolo e baciandogli le labbra secche.
«Di quali affari te ne intendi?» ribatté Bahã, dondolandosi sui due piedi.
«Oh, no, non me ne intendo di affari».
Bahã, nell’udire, ringhiò: «E di cosa ti intendi, allora?»
Álamo, aprendo le braccia, rispose: «Ma certo, di amenità».

Nena, che si trovava ancora ben posizionata fra i due, si mise di lato e, con la mano sinistra, spinse Álamo:
«Doll, e se voi andaste a prendere un po’ d’aria in terrazza?».

Nota della Redazione Anitart – La curatela di questo estratto da I Literisti è di João Lucas Dusi. L’accettazione da parte della redazione è avvenuta perché abbiamo riconosciuto in questo passaggio un linguaggio innovativo, capace di rompere con le convenzioni narrative e di creare un gioco simbolico tra potere, fragilità e ironia. È proprio questa audacia estetica che Anitart cerca di valorizzare nelle sue scelte.

PORTUGUÊS

Os Literistas

Álamo desvencilhou-se do braço de Doll, com as duas mãos escancarou as portas, deixando-as baterem, em um forte baque, contra a parede, chamando a atenção de todos, ‘ela está…’ Bahã, apontando o dedo, com um drinque na mão, disse, e encarou Doll, ‘em Palácios não se permitem alardes’, murmurou Nena, lhe conduzindo até o irmão, ‘Álamo, esse é o Bahã, meu futuro marido. Bahã, esse é Álamo Enfant, meu irmão’, Bahã, que desejara aquele momento por toda a vida, quando se viu na presença do então cunhado, ficou mais nervoso do que poderia supor, e, com esse descontrole, irritou-se em uma raiva mal direcionada, que acabou deixando transparecer em uma postura ofensiva e um aperto de mão demasiado rude, ‘O amado’, disse Álamo, e virou-se para Doll, ‘Essa é a minha mulher. Doll’, quando todos os olhares voltaram-se para a futura esposa de Álamo, esta estava com tantas lágrimas contidas pelos cílios que, ao levantar o queixo e piscar de nervoso, deixou que escorresse por seu rosto lavado a lacrimosidade acumulada, ‘seja qual for a razão de seu sofrimento, eu sinto muito’, consolou-a Bahã, curvando-se sobre o corpo nu e beijando a mão de Doll, ‘agradecida’, Doll disse em meio às lágrimas que, em momento algum, comprometeram sua dicção, ‘venham, vocês, sirvam-se de um drinque’, Pábila fez um movimento, e um garçom aproximou-se, ‘Doll não beberá hoje. Apenas para mim. Para ela, traga um suco de limão’, ordenou Álamo, segurando firme a mão da amada, ‘Sobre o que diziam?’, indagou em seguida, indo até a mesa principal, sendo acompanhado pelos demais, menos por Pábila, que já se encontrava próxima a uma cadeira, ‘amenidades’, respondeu Pábila, dando um gole sôfrego no drinque, ‘Todas as amenidades me interessam’, disse Álamo, vendo cada presente calar-se e entreolhar-se, ‘Sobre o que, em meu Palácio, diziam?’, Nena a todo instante ficava com a mão direita sobre o braço de Bahã e, sempre que Álamo expressava-se, fazia mais força, empurrando-o para trás, ‘falávamos sobre negócios’, Bahã respondeu, olhando o cunhado nos olhos, ‘Quais negócios?’, Bahã, ao esticar-se em uma atitude defensiva, assumia, visto de frente, um ar cômico, como se estivesse tendo uma reação alérgica e seu corpo estivesse inchando, ‘todos’, respondeu, ‘Em meu Palácio, amado, falamos com precisão, jamais usamos generalidades. Seja específico quando diz’, Álamo sorriu, bebeu seu drinque e balançou-se, ‘me chamo Bahã. Não amado’, Pábila interveio apontando para dois garçons que adentravam o salão com as entradas, ‘Não teremos entradas hoje’, ordenou Álamo, em um gesto abrupto, ‘Apenas prato principal e sobremesas’, os garçons se retiraram de imediato e, ao bater das portas, o silêncio se instalou por alguns segundos, ‘O seu negócio, amado, faliu. Estou errado?’, Álamo tocou, com a ponta do dedo da mão que segurava o drinque, o peito de Bahã, ‘depois de seu decreto, o que restou?’, Álamo sorriu, ‘Ah, agora sei de quais negócios diziam’, e, após um breve instante, concluiu, ‘Os obsoletos’, a mão de Nena que continha o ímpeto de Bahã de investir contra o seu irmão não conseguia mais cumprir resistência e, após a última fala de Álamo, Nena decidiu colocar-se diante de seu futuro marido, dando as costas para o irmão e Doll, olhando-o e lhe beijando os lábios secos, ‘de quais negócios você entende?’, retrucou Bahã, sacudindo-se nos dois pés, ‘Oh, não, não entendo de negócios,’ Bahã, ao ouvir, rosnou, ‘e do que entende?’, Álamo, abrindo os dois braços, respondeu, ‘Ora, de amenidades’ Nena, que ainda se encontrava bem posicionada entre os dois, colocou-se de lado e, com a mão esquerda, empurrou Álamo, ‘Doll, e se vocês fossem tomar um ar na varanda?’.

Rafael DeGuima (1995) irrompe na cena literária contemporânea com a Trilogia da Inadequação, um projeto de fôlego raríssimo. O primeiro volume, Um Mal-estar Fundamental (1.450 páginas publicado em 2023), assinado pelo heterônimo Álamo Enfant, já sinaliza a ruptura estética que se tornará sua marca. O segundo, Os Literistas, escrito sob o heterônimo Friederick Stevens, está previsto para ser finalizado em 2030, com 12 mil páginas — um feito que desafia não apenas a literatura, mas a própria resistência do leitor. Sua proposta é ousada: fundar um novo gênero, a meta-metaficção, no qual heterônimos se convertem em personagens e personagens, em heterônimos, dissolvendo as fronteiras entre criação e criador, realidade e invenção.